O Senhor é meu pastor

Começo essas linhas, dizendo de minha admiração particular por esse salmo, é que dentre tantos outros, Davi nos dá uma grande lição de fé e esperança naquela cuja confiança lhe fora depositada. O que muito me intriga aqui, é o fato de que, na maioria dos casos vemos e ouvimos de pessoas que simplesmente fazem uso dessa expressão: “O SENHOR É O MEU PASTOR”, baseada no Salmo 23, bastante conhecido, e que pessoas, quando de seu uso e aplicações feitas até mesmo em demasia naquilo que diz respeito aos cânticos, as encenações representativas e recitativos poéticos, o fazem de tal forma que leva notadamente o povo a um verdadeiro excesso de sentimento pelas coisas sagradas. Tal condição excessiva na apresentação desse sentimento, não nos dá suporte para aferir ou mensurar sua fé em Deus, bem como as nuances seguidas pela mesma.

 Essas pessoas, pela declaração já citada e descrita pelo salmista, usam-na para impor condições de cobranças ao Senhor Deus, buscando em suas palavras de orações um momento de barganha, baseada naquilo em que se refere o salmista em relação ao próprio Deus. Dizem de maneira contínua e enfática: “Eu quero que seja assim, pois é promessa do Senhor em sua palavra que diz, nada nos faltará e eu não aceito que seja diferente”.  E assim, tentam acondicionar a vontade de Deus à sua. Sinto-me envergonhado em ver tanta imaturidade por parte de determinadas pessoas que usam da prerrogativa de “senhorio” sobre aquele que tudo pode fazer, isto é, quando alinhado a sua própria vontade.

O que é interessante é que na verdade, elas nem ao menos param um pouco para pensar naquilo que estão dizendo, ao fazer de suas palavras a afirmativa de Davi: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará”. Davi tinha familiaridade com o oficio pastoral, e como tal, reconhecia de maneira distinta as atribuições de seu trabalho e o feedback que suas ovelhas lhe prestavam quando o viam, o seguiam, o ouviam e sobretudo lhe obedeciam. Aqui está o grande desfecho de toda essa equação: Pastor X ovelha e ovelha X pastor. Em curso natural do próprio oficio, sabemos que é o pastor que apascenta e guia a avelha e não a ovelha que apascenta, e, nem ao menos guia o seu pastor. Logo, tentar reivindicar algo que não está dentro desse formato, é contrariar a dinâmica representada entre essas duas figuras ora apresentadas.

Deus, o Sumo Pastor, deseja que reconheçamos tal princípio e que assim como Davi, nos coloquemos não apenas na qualidade de pastor, mas nesse reconhecimento pleno de que somos ovelhas de seu pasto. Essa expressão “O Senhor é meu pastor”, nos dá plena liberdade para afirmar categoricamente que o autor, não só se põe na posição de ovelha, em se deixar guiar, mas também se coloca na condição de ovelha quando se predispõe à ação do ser apascentada. Hoje, vivemos em um contexto de insubordinação jamais vista em toda a história da igreja, a rebeldia campeia por parte de muitos que não trazem consigo o sentimento no que diz respeito ao “empatizar-se” como ovelha, são donos da razão e não aceitam nenhuma forma de conselho ou até mesmo de repreensão. Deliberadamente são “auto-apascentáveis”, formulam o seu próprio conceito de pastor e ovelha, e concomitantemente, assim como em uma cena de dramaturgia, encenam os papeis de pastor e ovelha, dentro da perspectiva de seu bel-prazer, e assim, como diz um verdadeiro adagio popular que: esse tipo de ovelha “põe um rebanho a perder”. Triste, lastimável, inaceitável, entretanto, por amor, suportável! És na verdade ovelha? E quem é o teu pastor?

Pr. Carlos José de Oliveira

Diretor administrativo da ADPB

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